Já falamos sobre silenciar o barulho da mente e dar nome às emoções. Agora, o convite é para olhar ainda mais de perto, direto na raiz de tudo isso: as nossas crenças. E, para começar, a gente precisa limpar uma grande ilusão que costumam vender por aí: a ideia de que o ego é um monstro que precisa ser destruído. Não é nada disso. O ego serve para viabilizar a nossa experiência individual dentro da unidade da existência. É ele quem facilita a nossa comunicação na Terra através da criação de palavras simples, como “eu”, “meu” e “minha”
Sem o ego, a gente simplesmente não conseguiria interagir neste plano. O grande problema começa quando a gente se hiperidentifica com essas palavras. É aí que a gente começa a segurar coisas que já passaram: velhas histórias, mágoas antigas, objetos e até pessoas. Ficamos apegados.
Esse apego se alimenta de crenças que muitas vezes nem percebemos que temos, pois a mente anda barulhenta, e não sabemos nomear o que sentimos. Mas existe um caminho onde é possível encontrá-las: Na maioria das vezes que você sentir uma emoção com um viés negativo, seja uma raiva repentina, um medo que trava ou uma sensação de escassez, ali existe uma crença negativa e limitante escondida. Investigar o que está por trás desse sentimento é o caminho. É parar e se perguntar com honestidade: “O que eu estou acreditando sobre mim mesmo, sobre o outro ou sobre o mundo ao meu redor para me sentir assim?”
E se a gente parasse de lutar contra o ego e passasse a usá-lo apenas para o que ele foi criado?
E se você percebesse que o ego é só uma ferramenta de navegação? Quando você entende que não precisa defender uma identidade rígida ou sustentar histórias do passado para ser um homem de valor, o peso cai. O ego assume o seu verdadeiro lugar de servo da sua essência, e não de mestre da sua vida.
Imagine agora a liberdade de caminhar pelo mundo sabendo ler os seus próprios sinais. Imagine o alívio de notar uma frustração surgindo e, em vez de reagir no automático ou culpar o mundo, você simplesmente puxar o fio da meada e perceber ou até desarmar a crença que gerou aquilo. A mente fica limpa, o coração aberto e você recupera a energia necessária para ser um gerador de possibilidades reais na sua vida e nas suas relações.
Mudar o que acreditamos sobre nós mesmos exige que a gente olhe para a nossa história com respeito, reconhecendo o que nos protegeu até aqui, mas escolhendo o que queremos carregar daqui para frente. Por aqui a gente faz essa investigação, deixando de lado o peso do apego e resgatando a nossa presença mais autêntica.
Se faz sentido para você começar a enxergar além dos filtros do medo, chega mais. O caminho se faz caminhando.