A chegada do inverno

O outono acabou e, assim como o cair das folhas, ele nos concedeu o tempo de desapegar do que não era mais necessário carregar. Agora o inverno chega e precisamos pensar em como nos preparamos para a estação que traz um frio rigoroso muitas vezes. Durante o outono fomos percebendo o que seria deixado pra trás, agora precisamos olhar o que ficou e decidir o que realmente levaremos para o nosso abrigo. Quais crenças, emoções, percepções, relações e ações queremos que estejam conosco nesse tempo que propicia uma maior introspecção, mais tempo com a gente mesmo, mais tempo com quem amamos?

Para mim, no inverno tudo fica mais silencioso, quer seja porque as pessoas ficam mais reclusas em geral ou porque a energia do inverno já nos leva de forma natural para momentos de mais silêncio. Porém, silenciar uma mente que está acostumada a pensar o tempo inteiro, com excessos de pensamentos e ainda sendo bombardeada de estímulos a todo momento, não é da noite para o dia, é preciso prática e isso demanda algum tempo disponível. Porém não vamos pensar que seja necessário um longo tempo, apenas um ou dois minutos já são o suficiente pra começar uma mudança significativa. Se já é bom ficar sozinho ou com quem amamos, imagine se pudéssemos fazer isso mais conscientes e mais presentes?

Para que possamos aproveitar melhor os momentos do inverno, podemos manter uma presença no aqui e agora através de uma respiração consciente. Isso também vai nos permitir perceber quais pensamentos povoam nossa mente. Quais pensamentos tendem a baixar minha vibração? Quais pensamentos se repetem? Quais pensamentos vieram à mente que eu não fazia a menor ideia que estavam ali? Quais pensamentos aumentam a minha vibração? O simples fato de parar por um momento, que seja um único minuto, já tem o poder de trazer mais consciência do que reside dentro de nós, em um primeiro momento, o que estamos pensando.

Agora imaginemos experimentar por um momento, que seja um minuto, para fazer uma respiração mais consciente, ou seja, prestando atenção na respiração. Como mencionei antes, a respiração tem a capacidade de nos trazer para o aqui e agora e, ao mesmo tempo, nos ajudar a observar melhor os pensamentos. Essa prática executada todos os dias, pelo menos uma vez ao dia, em uma semana com certeza já trará percepções interessantes, como menos preocupações, mais facilidade analítica e de decisão, melhora considerável ao interagir com quem amamos e até mesmo com quem nem conhecemos, como no trânsito ou ônibus lotado. Se parece mágica ou conto de fadas, experimente!

Pensei aqui agora, enquanto escrevo, que muitas vezes podemos nos encontrar no modo sobrevivência, e ele vai dizer automaticamente que isto não funciona. Quando esse modo está ativo, vivemos reagindo ao mundo externo em um estado de luta ou fuga, mesmo que de fato não haja perigo, a mente acredita que há. (Em outro momento falarei sobre o mecanismo motivacional que todo ser humano tem em si, que funciona através de suas crenças). Como esse modo é puro ataque e defesa, ele ativa nossos escudos e nossas armas para que possamos nos defender ou atacar, gerando um isolamento negativo, como se o mundo inteiro estivesse contra nós. Algo que definitivamente não é nada bom para a estação do inverno.

Bom, voltando ao fluxo onde nós decidimos parar por pelo menos um minuto, respirar e prestar atenção aos pensamentos. Quem sabe não paramos por mais um minuto, pegamos caneta e papel, e escrevemos tudo o que vem à mente? Apenas respirar e observar os pensamentos já é uma prática poderosa, mas escrever leva isso para um nível muito superior. Ah, pode ser papel e caneta, mas também pode ser no computador ou no celular, o importante é anotar em algum lugar. Fazer isso por uma semana, escrevendo tudo o que vem à mente e guardando para ler depois de fechar os 7 dias. Ao terminar o período de 7 dias, leia tudo o que anotou e, se desejar, escreva sobre o que o ato de ler tudo provocou em você. Depois você pode guardar, jogar fora ou queimar. Faça o que quiser, inclusive começar um novo período de 7 dias.

Compartilho aqui esses pensamentos e exercícios, pois sei que eles realmente podem ajudar a viver melhor consigo mesmo, melhorar as relações mais próximas e ter uma mente mais forte, para seguir por um caminho mais alinhado com a essência. Essas práticas e, as reflexões que delas vão nascer, servirão como lenha ou combustível para manter a fogueira acesa durante o inverno. A fogueira representa a sua chama interna, sua alma, espírito ou essência. A fogueira acesa mostra que o entusiasmo está presente e ele é uma mensagem da alma, mostrando o caminho a seguir. Uma mente com menos ruído, ou seja, menos pensamentos negativos e repetitivos, vai permitir acessar um campo vibracionalmente mais elevado, o das nossas emoções e sentimentos. A partir daqui podemos começar a ficar mais conscientes do que nos dá medo, do que nos deixa tristes, do que dá raiva, vergonha, assim como do que dá alegria, coragem, determinação e o que entusiasma.

Enfim, cuidar da mente por si só já aumenta a qualidade da nossa vida. A qualidade da nossa vida aumenta a qualidade das nossas relações. Além disso, isso abre um portal para o campo das emoções, para que possamos sentir e identificar o que as situações da vida fazem a gente sentir, sem precisar resumir que está estressado ou se sentindo estranho, o que acontece quando a mente está barulhenta demais. Depois disso ainda podemos olhar para as crenças, mas vamos um passo de cada vez. Uma mente com menos ruídos, mais presente no aqui e agora, já é um grande avanço, principalmente se conseguirmos manter isso por um longo período. Que tal experimentar isso durante todo o inverno? Se a mente for um jardim, o que será que a primavera vai trazer? O que pode florescer de uma mente bem cuidada?

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